sexta-feira, 26 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
Quando uma mão toca outra mão
Quando uma vida toca outra vida,
Não há nada mais importante,
As Almas estão em movimento.
Nosso corpo é, pequeno
Frágil,nossa Alma,
Apertada aqui dentro.
Mas então nós dançamos
Cantamos, nos tornamos nuvens:
Num corpo pequeno
Mas sem paredes
sentindo o céu imenso dentro e ao redor.
Nessa dança, esse canto, nesse céu
Quando eu choro as lágrimas que voces choram
Quando eu amo quando voce amam
Quando a beleza que está em voces é a beleza de tudo
Quando somos uma só vida
São nossa almas em movimento.
E então agradeço,pois dentre todas as coisas
É neste movimento
É nesta dança
Que a vida é vida
Que a alma é alma.
Iaiá Monteiro, professora de flauta, no projeto desde maio/2009
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
para assistir ao clip do espetáculo Almas em Movimento 2009
http://www.youtube.com/watch?v=IjXcyFMobHg
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Nos primeiros 2 anos fiz questão absoluta de não conhecer a história de nenhuma delas eu não poderia dar chance ao surgimento de qualquer emoção como piedade, indignação, preconceito.
Mulheres são mulheres.
Via apenas seus olhos brilharem as meninas delas mesmas, via as dores sufocadas nos mais variados estilos de sobrevivencia, via luzes e beleza além de qualquer passado.
Nossas aulas são na capela,espaço físico intermediário entre a administração e os 4 pavilhões que abrigam em torno de 900 mulheres e dezenas de etnias.
Na capela tudo que é "de fora" acontece:batismo, encontros religiosos, palestras, ensaios, espetáculos,...
Trata-se de um grande salão de paredes e bancos em concreto, cupins que devoram a sacristia e o piano, acústica terrível, e uma estátua da Virgem a guardar a entrada de nossa sala .
Uma hora e quinze é o tempo que dispomos.As vezes me parece um milagre.
Uma instituição prisional é um mundo dentro de um mundo.
Suas leis e costumes só se aprendem com o passar do tempo- que não passa-
A meditação ativa acaba por ser o centro de nossas intervenções.
O que há para ser colocado em movimento no espaço interno de cada uma daquelas mulheres?
Onde o fluxo de suas vidas encontrou um dique?
Emoções armazenadas que vão lentamente envenenando,lágrimas secas, sabores amargos, silêncio, indignação,depressão,anorexia, dependencia quimica,abandono,violencia,...
O que resta quando tudo lhe é tomado?
O máximo ensinamento que aprendi nestes 3 últimos anos de projeto foi observar o presente.O agora.Lá, isto é o que se possue, o amanhã quem sabe?Quem serão as alunas na próxima aula?
Aprendi também que não existe tempo, não há relógios, celulares, internet, o mundo parece interrompido pelos muros que separam "lá fora" e "aqui dentro".
Paradoxalmente, cada segundo por ali tem um valor inestimável pois é um a menos à se estar ali...
Era uma vez uma Monica Jurado aluna de canto de uma lirica voz.
Dia houve que a professora dela ofereceu-se para formar um coral na Penitenciária Feminina da Capital, e assim, numa terça feira de março de 2008 lá se foi a aluna, seu tambor, a professora e uma semente rumo à PFC.
Logo no primeiro dia encontrou os olhos severos e firmes de uma agente penitenciária que lhe disse simples assim:
-Estou cansada dos voluntários que agem como se essas meninas fossem um zoológico.Elas não são.
Se voces atravessarem aquele portão é bom saberem que elas não são curiosidades para serem abandonadas depois de serem saciadas.
A professora abandonou o grupo poucas aulas depois. Eu fiquei e plantei a semente.
Não porque seja samaritana fanática mas devido à uma inexplicável sensação de estar em minha correta ação no mundo.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Projeto de Musicalização Penitenciária Feminina do Carandiru
Detentas de penitenciária têm dia de celebridade em SP
Mulheres fizeram apresentações de dança e teatro na Zona Norte.
Voluntárias ressaltam papel da arte na reintegração das presas.
Voluntárias ressaltam papel da arte na reintegração das presas.
O dia 17 de dezembro ficará marcado na lembrança de detentas da Penitenciária Feminina da Capital, na Zona Norte de São Paulo. Nesta quinta-feira, em um teatro improvisado numa capela da unidade, essas mulheres puderam mostrar seus talentos artísticos em apresentações de teatro e música.
Resultado de mais de um ano de trabalho, os espetáculos são fruto de projetos sociais distintos implantados por voluntárias. Responsável pela parte musical, a professora Mônica Jurado, de 47 anos, enfrentou dificuldades para juntar o grupo de 17 presas que encheram de alegria uma plateia formada por cerca de 50 funcionários, amigos e outras detentas. "É grande o fluxo de alunas. Muitas vão para o [regime] semi-aberto e outras desistem no meio do curso", disse.
Antes de entrar em cena, cada reeducanda (como também são chamadas as internas) foi maquiada e trocou o tradicional uniforme da penitenciária -composto por uma camiseta branca e uma calça laranja- por figurino próprio. Com tudo pronto, as luzes do "teatro" foram acesas e as "estrelas" puderam mostrar seu brilho.
Antes de entrar em cena, cada reeducanda (como também são chamadas as internas) foi maquiada e trocou o tradicional uniforme da penitenciária -composto por uma camiseta branca e uma calça laranja- por figurino próprio. Com tudo pronto, as luzes do "teatro" foram acesas e as "estrelas" puderam mostrar seu brilho.
Com jinga no pé e voz afinada, as jovens iniciaram suas apresentações dançando e cantando. Entre rodas de capoeira, corais, canções de liberdade e luta, uma jovem sul-africana chamou a atenção dos expectadores. Cantora profissional, Melanie Lloyd, de 24 anos, emocionou suas colegas com uma música de sua autoria: "Painful Love" (amor doloroso, em tradução livre). "Escrevi essa letra na minha cela, em uma época difícil de minha vida", afirmou a jovem.
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